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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

13.- Sobre dois suportes de leitura


ANO
 12
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EDIÇÃO
3320

Estou lendo dois livros de um mesmo autor (quase) em paralelo. Um deles, em blogada recente, já foi aqui anunciado lateralmente: é o massudo e instigante Sapiens: uma breve história da humanidade do historiador israelense Yuval Noah Harari. Atualmente é livro de não ficção mais vendido no Brasil. A primeira edição brasileira da LPM é de 2015, a minha de agosto de 2017 é a 24ª. O outro: Homo Deus no qual o professor de História da Universidade Hebraica ensaia o que está no subtítulo: uma breve história do amanhã. Se o título o induziu ser o autor um profeta apocalítico, antecipo que percepção está equivocada.
Do primeiro, falta menos de um terço de suas 459 páginas; do segundo já li cerca de um terço. Se me fosse perguntado qual o melhor dos dois, diria ‘não sei’. Os dois são excelentes. Talvez os dois melhores livros de história dentre os muitos que já li. A minha dúvida na eleição, provavelmente, decorra desta nada usual leitura paralela.
Pois, nesta blogada quero comentar as razões deste esdrúxulo paralelismo. Mas antes trago um breve comentário de um e outro e também do exótico autor dos mesmos.
O primeiro dos livros — Homo sapiens — busca responder interrogação a respeito da qual nunca eu havia pensado: Se há 100 mil anos passados pelo menos seis espécies de humanos habitavam a Terra, porque hoje existe uma única espécie: nós, os Homo sapiens? As respostas são trazidas de maneira fascinante. Endosso o The Times: “Harari sabe escrever [...] de verdade, com gosto, clareza, elegância e um olhar clinico para a metáfora.” O livro é irresumível; há simplesmente, que lê-lo. Ele questiona nossas ideias preconcebidas a respeito do universo. Em 2015, Sapiens foi selecionado por Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, para seu Clube do livro on-line. Mark convidou seus seguidores a ler o que ele descreve como "uma grande narrativa sobre a História da civilização humana
Acerca do Homo Deus, sempre com um olhar no passado e nas nossas origens, Harari “investiga o futuro da humanidade em busca de uma resposta tão difícil quanto essencial: depois de séculos de guerras, fome e pobreza, qual será nosso destino na Terra? A partir de uma visão absolutamente original de nossa história, ele combina pesquisas de ponta e os mais recentes avanços científicos à sua conhecida capacidade de observar o passado de uma maneira inteiramente nova. Assim, descobrir os próximos passos da evolução humana será também redescobrir quem fomos e quais caminhos tomamos para chegar até aqui”. Enfim, história começou quando os homens criaram os deuses (e criaram religiões para a suas latrias) para explicar cosmogonias e terminará quando os homens se tornaram deuses
Feita esta brevíssima apresentação dos dois best-sellers, antes de trazer explicação à minha leitura em paralelo, algo do autor.
Yuval Noah Harari (Haifa, 24 de fevereiro de 1976) leciona no departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém. Especializou-se primeiro em História mediavel e História militar, antes de completar seu doutorado no Jesus College, Oxford, em 2002. Desde então, ele tem publicado numerosos livros e artigos.
Ele agora é especialista em História mundial e processos da macro-história. Sua pesquisa atual se concentra en questões como: Qual a relação entre
a História e a Biologia? Qual a diferença fundamental entre o Homo sapiens e outros animais? Existe justiça na História? A História tem uma direção? Será que as pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo?
Harari diz que a meditação Vipassana** que ele começou enquanto estava em Oxford em 2000 "transformou minha vida". Ele pratica durante duas horas todos os dias (uma hora no início e no final de seu dia de trabalho, realiza anualmente um retiro de meditação de 30 dias ou mais, em silêncio e sem livros ou mídias sociais. Ele dedicou o Homo Deus a "meu professor, SN Goenka, que me ensinou amorosamente coisas importantes" e disse: "Eu não poderia ter escrito este livro sem o foco, a paz e a visão adquirida com a prática de Vipassana por quinze anos". Ele também considera a meditação como uma maneira de pesquisar.
**[(= VIPASSANA ver as coisas como realmente são), é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia, onde é ensinada há mais de 2500 anos.]
Harari é vegano e vive em um moshav (tipo de comunidade rural, cooperativa, semelhante aos Kibtuzes que combina fazendas geridas privadamente e coletivização de serviços, como a comercialização de produtos e algumas vezes indústria leve). Também consta que ele não tenha smarthfone.
Transcrevo de extensa lista, de mais de três páginas, dentre mais de duas dúzias de agradecimentos, os dois últimos:
"A Chamba, Pengo e Chili que me ofereceram uma perspectiva canina de algumas das principais ideias e teorias deste livro.
E a meu marido e administrador Ytzik, que hoje já funciona como minha internet de todas as coisas."
Comentário acerca de um dito esdrúxulo paralelismo: Quando a Carla, com entusiasmo recomendou-me Sapiens adquiri a versão física do livro. Comprei-o junto com Tio Petrus (assuntado aqui /SET) que li primeiro pois além de ser ‘levinho’ era um romance envolvendo a história a Matemática. Mas Sapiens pelo seu volume, por sua capa seduzia-me. Comecei imediatamente a ler (isso significa que Sapiens furou a fila de pelo menos uma dezena, que aguardam vez em lugar especial em minha sala). Logo me encantei com o texto.
 No dia 11 de setembro ganhei um inesperado presente. A Gelsa deu-me um ‘Kindle paperwithe’ que nem participou da viagem que começava no dia seguinte. Levei o Sapiens.
Dias depois recomendava à minha colega Maria do Carmo (FURG) Sapiens. Ela respondeu-me recomendando Homo Deus. Fiz então uma experiencia lapidar. Melhor seria dizer antilapidar. Comprei o Homo Deus em versão eletrônica para o Kindle. A experiência me seduz.
O meu smartphone pesa 240g e o Kindle, que pode conter centena da livros (como o Sapiens que pesa 800g), pesa 203g. Só isso faz diferença especialmente nestes tempos que as companhias aéreas cobram fortunas para excessos de peso nas bagagens.
A outras vantagens: a eleição do tamanho das letras; qualquer palavras que não sabemos, o Priberam nos explica em apenas um clique; com todas as palavras consultadas é preparado uma listagem para aperfeiçoar o vocabulário; acerca de qualquer nome próprio ou acontecimento referido, se assim desejarmos, a Wikepédia nos atualiza; as notas de fim de volume são acessadas a um clicar no número das mesmas, com retorno ao texto de onde a chamamos; mesmo que estejamos lendo mais de um livro, ao clicar em qualquer um deles, somos remetidos ao ponto onde paramos; como na edição digital, o número de páginas inexiste, pois depende do tamanho das letras, somos continuamente informados sobre o percentual do volume já lido; recebemos também uma previsão de minutos para terminar cada capítulo, estimado em função de nossa velocidade de leitura.
Deve haver outras benesses que ainda não apreendi. Enquanto escrevo este texto tomo conhecimento de um kindle, a prova d’água, para ler na piscina.
Aos que acham que fui cooptado à nova maravilha: Se me fosse oferecida a digitalização dos cerca de 4 mil volumes de minha biblioteca, em troca da massa de papel que os mesmos produziriam, qual seria a minha resposta? “Não, muito obrigado!”
Só não poder mais evocar historias passeando nas lombadas de livros perfilados nas diferentes estantes já me faz triste. Mesmo que me fosse permitido retirar, talvez duas dezenas de exemplares registrado como “raros e/ou preciosos” como um Alcorão dito de 1680, adquirido na Turquia ou exemplar do livrinho vermelho de Mao, que comprei na China ou um devocionário que fora de minha mãe.... mesmo assim, recusaria, por ora a proposta.
Qual pode ser a diferença que pode nos seduzir na comparação de um massudo livro em suporte físico se comparado com um livro digital invisível? Uma situação que me agrada é ver livros. Hoje me encanta ver raras pessoas lendo livros em sala de embarque ou num voo. Isso parece cada vez mais raro. Veja a sedução de um livro que parece abandonado sobre um sofá te chamando para uns minutos de prazer.
Parece válido prognosticar a existência dos dois suportes. Um e outro têm atratividades. Os olhos, as mãos, o esforço físico parecem nos fazer preferir digital. O saboroso convívio com a interação tátil e ocular se traduzem em vantagens para livro físico. Vivas para os dois. 

sábado, 7 de outubro de 2017

07.- Acerca de uma semana frutuosa


ANO
 12
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EDIÇÃO
3319

Não fosse a modalidade de blogares semanais, cada dia desta semana, na qual terei seis palestras, em cinco cidades de dois estados, mereceria uma edição. Cerceado pela limitação auto imposta de apenas uma edição por semana, trarei a cada dia um excerto de meu diário em suporte papel, para tecer a primeira blogada deste outubro.
DOM 01/10 Um domingo prenhe de evocações do ontem [encontro mensal de filhos e netos] para uma transmutação em tempestade anunciada. O local festivo do sábado, se fez tétrico com cadeiras dançantes embaladas por ventos de mais de 100 km/h ao som de trovões e iluminadas por raios e relâmpagos.
SEG 02/10 Numa segunda, em tarde tintada de inverno tardio, fui à Caxias do Sul para ensaiar com alunos do curso de Ciências Biológicas da UCS “como formar jardineiros para cuidar do Planeta”.
TER 03/10 Na terça voltei à região de minha ancestralidade materna. Embalando saudades, passei por Bom Princípio para ir ao IFRS, campus da Feliz, para pensar com cerca de uma centena de alunos e professores, “acerca da utilidade dos ‘saberes inúteis’”
QUA 04/10 À madrugada da quarta fui ao aeroporto para dois voos (Porto Alegre / Brasília / Cuiabá) bem aproveitados com a leitura do ‘Homo deus’. Recém chegado, com o Prof. Geison, percorremos os 520km perigosos e congestionados por bi-trens que nos separavam de Sinop. Logo era hora de estar no campus da UFMT, para em auditório com participantes assistindo na rua por faltar de lugar no auditório discutindo “Das disciplinas à indisciplina”.
QUI 05/10 Na quinta-feira fui ao campus Sinop do IFMT falar para cerca de 200 alunos do ensino médio com seus professores sobre “como assestar óculos para olhar o mundo natural”. A tarde com a artista sacra Mari Bueno, Patrícia e eu discutimos acerca das relações do sagrado e do profano. As discussões contemplaram visitas à igreja paroquial de Santo Antônio e à catedral, para buscar, mais uma vez, explicações aos magníficos painéis dos quatro elementos. Quando a noite começava iniciamos o longo retorno de Sinop à Cuiabá.
SEX 06/10 Na sexta-feira mais uma vez na estrada agora passando pela Chapada ir a Campo Verde e então ir ao campus de Jaciara do IFMT. À noite em atividade para diferentes segmentos da cidade, no auditório da Prefeitura lotado expliquei como “A Ciência é masculina? É, sim senhora!” muito contextualizado nos anúncios de cinco prêmios Nobel a 10 homens e a uma organização.
SAB 07/10 O sábado teve estrada duas vezes: pela manhã para ir de Jaciara a São Vicente da Serra, onde se diz estar o maior campus do Brasil com cerca de 5.750 hectares, no qual fiz tentativas de responder “O que é Ciência, afinal?” para mais de 300 pessoas. Em um momento não foi fácil vencer a chuvarada se esparramando no telhado de zinco.
Na foto uma cena do auditório clicado pela Professora Kayena. Após o almoço com estudantes num bandeijão, retornei à Cuiabá, marcado pelo desastre fatal que vitimou três pessoas das quais um casal de professores do IFMT, ex-alunos do campus de São Vicente, em local onde passara na quarta e quinta feiras. Nesta semana 3,2 mil quilômetros percorridos em estradas perigosíssimas, fiz propósitos.
Resolvi fazer o jogo do contente. Não consegui voo de retorno para este sábado. Só na manhã de domingo. Também, por haver um mega-concurso em Cuiabá, não consegui hotel em Cuiabá. Assim, acolhido, mais uma vez pelo colega Geison, descanso hoje por aqui para chegar amanhã, meia tarde em Porto Alegre. Estou muito feliz com esta semana. Realmente foi frutuosa.
PÓS DATA: Conceição Cabral, da UFPA, partilhou a divulgação de evento dizendo: Fé nas ações das crianças, pois acreditar nos adultos está cada dia mais difícil.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

29.— Sonhando com a ubiquidade


ANO
 12
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EDIÇÃO
3318

Recordo, que no catecismo — o livro de perguntas e resposta que estudei em preparação da primeira comunhão — havia ensinamentos acerca dos atributos ou, talvez fosse acerca das qualidades ou dons de Deus. Lembro pelo menos de três: onipotente, onisciente e onipresente.
Pois na pretérita quinta-feira, à noite, quisera ter pelo menos o dom da ubiquidade. E não vou concorrer com Deus que pode estar simultaneamente em todos os lugares; bastava-me apenas estar dois lugares simultaneamente: Porto Alegre e Erechim.
Justifico meu devanear. Quando registrei as oito palestras do Fronteira do Pensamento de 2017, ao invés de registrar a conferência de Thomas Picketty no dia 28, fi-lo no dia 25. Justificativa de meu equívoco: as palestras do Fronteiras são sempre às segundas. Mas esta, considerada a palestra heliocêntrica do ano, pois é aquela que se recebe um convite para levarmos um convidado, não só era no Auditório Araújo Vianna, com 4.000 lugares (o dobro do auditório da Reitoria da UFRGS) mas estava marcada para uma inusual quinta-feira.
Só me dou conta, a menos de uma semana, que tinha para a mesma quinta do autor de ‘O Capital no Século XXI’ três atividades, uma em cada turno, no Campus de Erechim da Universidade Federal da Fronteira Sul. Não havia indecisão para escolha. À meia-tarde de quarta-feira, numa viagem de mais de seis horas de ônibus, fui a Erechim.
No turno da manhã falei em uma atividade de formação de 14 (dos 15) professores do Grupo de Pesquisa envolvidos com a formação de professores que fazem Educação do Campo na IFFS, em Erechim. À abertura mencionei que ir à Universidade onde está um ex-orientando de mestrado ou doutorado se assemelha a visitar a casa de um filho. Essa sensação a vivi, desde a noite de quarta e durante toda a quinta-feira, vendo a importância das ações do Denílson Silva, que catalisou meu estar em Erechim.
À tarde, foi a aula inaugural do Curso de Licenciatura Interdisciplinar em Educação do Campo: Ciências da Natureza, marcada pela acolhida na UFFS de 40 novos acadêmicos, dos quais cerca de 87% são indígenas, recepcionados por professores, corpo técnico e alunos de mais duas turmas (2016/1 e 2015/2). Minha fala que buscou destacar as exigências de estar em um (novo) mundo da Academia hoje. Esta aula compartilhei com o vice-reitor da UFFS, professor Antônio Inácio Andrioli, que entre outras significativas trazidas fez a apresentação da instituição e do curso aos novos estudantes. Foi muito bom estar nesta atividade com meu ex-orientando Antônio Valmor de Campos, professor da UFFS, campus de Chapecó.
Ao final da tarde participei do desvelamento de um painel construído coletivamente com milhares de sementes evocando a realização do III SIFEDOC - III Seminário Internacional de Educação do Campo que ocorreu 29 à 31 de Março de 2017. Na foto o Denílson e eu, na cerimônia.
À noite, para mais de 200 participantes, fiz a palestra em atividade mediada pelo Professor Jerônimo Sartori, “Das disciplinas à indisciplina’ dentro da semana da Pedagogia da qual participaram professores e alunos da Pedagogia e de outras licenciaturas e mestrandos dos três cursos de pós-graduação.
Muitos autógrafos e muitos fotos foram apetitosa sobremesa a tão sumarenta quinta-feira. Não tendo, pelo menos por ora, a sonhada ubiquidade, não me arrependo da escolha. Ante os comentários que acolhi de participantes da palestra do Fronteiras do Pensamento, vejo que tenho que terminar de ler o livro do Picketty.
Agora já embalo expectativa para próxima semana onde terei seis palestras em cinco cidades de dois estados. Que venha outubro.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

22.— Mais uma vez falando de livros.


ANO
 12
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EDIÇÃO
3317
Esta é a quarta blogada setembrina e ocorre sob a nova concepção de uma edição por fim de semana. Hoje, como nas anteriores o mote é falar de um livro. Para inaugurar a primavera, ofereço a fruição um livro que, após longa gestação, recém é dado a lume: “Histórias da Química”. O singular artífice da concepção, gestação e parição desta coletânea é José Euzébio Simões Neto, um pernambucano, professor doutor vinculado ao Departamento de Química da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Euzebio concebeu este livro durante os quatro anos que se envolveu com formação de professores em Serra Talhada.
O livro, em quase trezentas páginas, amealha dez artigos, em sua quase totalidade, escritos por homens do estado de Lampião. Flavia Cristiane Vieira da Silva, professora da Unidade Acadêmica de Serra Talhada da UFRPE faz uma apresentação de cada uma das dez muito variadas histórias.
Há histórias de três titãs da Química moderna (Maria Curie, Pauling e Butlerov); há histórias de tópicos da Química (alquimia, núcleo, substância, transformação da matéria e teoria dos radicais); e, ainda, há histórias acerca de perspectivas epistemológica e do ensino de Química, nível superior.
Ainda não li todasas dez histórias, mas qual coruja elogiando os seus filhotes dou destaque a Marie Curie: três dolorosas estações de um calvário glorioso, onde em três dezenas de páginas, trago três momentos da mulher genial que durante mais de 60 anos foi a única cientista que teve duas láureas de prêmios Nobel de Ciências: de Física (1903, com seu marido Pierre e Henry Becquerel) e de Química (1911, sozinha). Assim, ela foi a primeira mulher que ganhou um Nobel (1903) e também primeira mulher que ganhou o prêmio sozinha (1911).
A proposta do texto que escrevi para o livro é apresentar três recortes da vida de Marie Curie. Assim, não há a pretensão de fazer uma biografia, como fez com muita competência Paulo Marcelo Pontes — o significativo catalisador do Euzebio na produção deste livro — com sua muito bem urdida tessitura: Um cientista de olhos azuis brilhantes: Linus Pauling.
Vou trazer três dolorosas estações de jornada cruenta desta excepcional polonesa que é considerada como a mulher mais importante do século 20. Usualmente, temos das pessoas públicas, narrados só de momentos gloriosos. Mas também para eles a vida não é monótona.
Assim, o capítulo, que destaco nesta blogada, se tece em cinco segmentos: 0.- O prelúdio se apresenta um histórico da Ciência da década que marca a virada do Século 19 para o 20 (1895/1905). 1.-A morte trágica de Pierre Curie em 1907, quando Marie tinha 40 anos, aos 12 anos de seu amoroso casamento com Pierre. 2.- A perda do acesso à Academia de Ciências da França, por um voto em 1911, na maior evidência de um machismo, pois a emancipação das mulheres era vista, na França do início do século 20, como indicação de decadência nacional e até como sintoma de emasculação ou desvirilização dos homens; há também a não aceitação de uma estrangeira (talvez, de ascendência judaica) na Academia. 3.- A exploração, em 1911, pela imprensa francesa do romance de Mme. Curie, com 44 anos, com Paul Langevin (1872-1946), um muito renomado físico francês.  4.- Um posfácio, sobre o que narra algo de Marie Curie, após a sucessão dos três calvários que sabem a fel.
Está aí uma amostra de um dos dez capítulos que estão no livro aqui destacado.

SIMÕES NETO, José Euzebio. Histórias da Química. Curitiba: Appris, 2017, 291p. ISBN 978-85-473-0531-4 em www.appris.com.br edição suporte papel R$ 51,00 (3 x 17,00); e-book 23,00. Disponível, em parte, no Google Books.


Uma colorida primavera a cada uma e cada um (ou dourado outono a possível leitor do Hemisfério Norte) onde este “Histórias da Química”.  pode ser uma sugestão de leitura. Vale saboreá-lo, pois sabe a histórias significativas.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

15.— Conjectura de Goldbach


 

ANO
 12
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EDIÇÃO
3316
Preparo o texto para a edição que circula neste fim de semana, nesta sexta-feira, durante o primeiro trecho dos voos Cuiabá/Congonhas/Porto Alegre. Na viagem de vinda, na terça-feira, o trecho Congonhas / Cuiabá se fez fugaz pala ‘muito útil’ conversa com o advogado porto-alegrense Aquiles Nuñes. Nestas quarta e quinta feiras vivi dois dias sumarentos em Cuiabá, no Campus Boa Vista do IFMT na IV Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão. Na noite de quarta, fiz a palestra ‘Acerca da utilidade dos saberes inúteis’ muito inspirado no que relato na blogada anterior. Foi emocionante ser aplaudido longamente por mais de 500 pessoas que se puseram de pé — dentre as quais muitos alunos ensino médio.
Na tarde de ontem houve uma enriquecedora Roda de Conversa com mestrando do Programa de Pós-Graduação UniC/UFMT acerca de alfabetização científica.
Na noite de ontem, ne mesmo cenário da noite de quarta, para o mesmo público e com mesmo brado ‘fora Temer’ com o punho esquerdo cerrado e levantado fiz a palestra ‘Para formar jardineiros para cuidar do Planeta’ que foi tão ou mais aplaudida como a da noite anterior.
Nas três falas houve autógrafos em livros, muitas fotografias e gostosa confraternização com alunos, funcionários e professores do IFMT. Valeu ter estado já a quarta vez no Mato Grosso este ano e aguardar estar, uma vez mais, na primeira semana de outubro.
Depois deste preâmbulo o assunto que está na manchete.
Quando criança, no grupo de amigos e especialmente entre os irmãos havia um não explicito ‘código de ética’. Claro que não conhecíamos tão imponente denominação. Um dos pontos que vigia solene e irrefutável era: “Promessa é dívida! ”
 Nas duas últimas edições acenei promessa de comentar aqui o excelente Tio Petros e a Conjectura de Goldbach do escritor grego Apostolos Doxiadis. Hoje, desejo honrar minha dívida.
Quando leio livro, uma pergunta recorrente é acerca da eleição de minha leitura. Agora estou lendo, o massudo e instigante Sapiens: uma breve história da humanidade. Atualmente é livro de não ficção mais vendido no Brasil. A primeira edição brasileira é de 2015, a minha é a 25ª. De vez em vez estou agradecendo a indicação da Carla.
Tio Petros e a Conjectura de Goldbach foi uma excelente sugestão de Luís Rafael Santos, chefe do Departamento de Matemática da UFSC Campus de Blumenau, quando no aeroporto de Navegantes comentava minha preferência por números primos.
A história começa em 1742, na correspondência entre Christian Goldbach e o famoso matemático suíço Leonhard Euler, foi formulada a seguinte questão: "Todo número inteiro par, maior que 2, pode ser representado como a soma de dois números primos".
Hoje, mais de 250 anos depois, a Conjectura de Goldbach tornou-se um dos problemas mais intrigantes da Matemática. Mesmo já tendo sido testada empiricamente até 1014, ninguém jamais conseguiu provar que a afirmação é válida para todos os números inteiros maiores que 2 e, recentemente, até um prêmio de 1 milhão de dólares foi oferecido a quem for capaz de demonstrá-la.
DOXIADIS, Apostolos, Tio Petros e a Conjectura de Goldbach – um romance sobre a história da Matemática. (Tradução de Cristiane Gomes de Riba) São Paulo, Editora 34,168 p. 14 x 21 cm, 2001 - 1ª edição; 2010 - 2ª edição ISBN 978-85-7326-197-4

 Este romance é a história de Petros Papachristos, um genial matemático grego, que dedicou sua vida a desafiar o enigma. Olivier Sacks, muitas vezes presente neste blogue, fez uma admirável síntese, que está na quarta capa do livro: "Uma conjectura matemática insolúvel por dois séculos; um tio gênio que enlouqueceu tentando resolvê-la; uma relação ambígua com seu sobrinho aspirante a discípulo; e uma acurada observação do ser humano fazem de Tio Petros um romance engraçado, encantador e, para mim, irresistível."
Sir Michael Atiyah, matemático vencedor da Fields Medal (equivalente ao Prêmio Nobel da Matemática) assim sintetizou o livro na mesma quarta capa: "Um livro brilhantemente escrito, uma história de detetive de grande charme, que realmente capta o espírito da pesquisa matemática." Já John Nash, Prêmio Nobel de Economia bem define Tio Petros: "Um retrato fascinante de como um matemático pode cair numa armadilha mental ao devotar seus esforços a um problema demasiadamente difícil."Quando leio algo da biografia de Apostolos Doxiadis um escritor grego nascido em 1953 (64 anos) em Brisbane, na Austrália mas criado na Grécia. Aos 15 anos, com um trabalho original de Matemática, foi aceito na University de Nova Yorkdou me conta da validade de minha defesa que a ‘história dos autores dá vida aos seus textos’. Fez pós-graduação na École Pratique des Hautes Études; mais tarde voltou-se para o cinema e a literatura.
Outro detalhe que influi em mim é ter conhecido pessoalmente os cenários descritos. Assim, Doxiadis com sua sumarenta narrativa, me fez voltar gostosamente à Grécia, pela segunda vez, no último abril.
Avalizado por estas experiências arvoro-me fazer sugestão a meus leitores: conheçam tio Petros, chamem o sonho com a busca dos dois números primos da conjectura de Goldbach. Desrecomendo buscar prova-la.