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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

15.— Conjectura de Goldbach


 

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Preparo o texto para a edição que circula neste fim de semana, nesta sexta-feira, durante o primeiro trecho dos voos Cuiabá/Congonhas/Porto Alegre. Na viagem de vinda, na terça-feira, o trecho Congonhas / Cuiabá se fez fugaz pala ‘muito útil’ conversa com o advogado porto-alegrense Aquiles Nuñes. Nestas quarta e quinta feiras vivi dois dias sumarentos em Cuiabá, no Campus Boa Vista do IFMT na IV Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão. Na noite de quarta, fiz a palestra ‘Acerca da utilidade dos saberes inúteis’ muito inspirado no que relato na blogada anterior. Foi emocionante ser aplaudido longamente por mais de 500 pessoas que se puseram de pé — dentre as quais muitos alunos ensino médio.
Na tarde de ontem houve uma enriquecedora Roda de Conversa com mestrando do Programa de Pós-Graduação UniC/UFMT acerca de alfabetização científica.
Na noite de ontem, ne mesmo cenário da noite de quarta, para o mesmo público e com mesmo brado ‘fora Temer’ com o punho esquerdo cerrado e levantado fiz a palestra ‘Para formar jardineiros para cuidar do Planeta’ que foi tão ou mais aplaudida como a da noite anterior.
Nas três falas houve autógrafos em livros, muitas fotografias e gostosa confraternização com alunos, funcionários e professores do IFMT. Valeu ter estado já a quarta vez no Mato Grosso este ano e aguardar estar, uma vez mais, na primeira semana de outubro.
Depois deste preâmbulo o assunto que está na manchete.
Quando criança, no grupo de amigos e especialmente entre os irmãos havia um não explicito ‘código de ética’. Claro que não conhecíamos tão imponente denominação. Um dos pontos que vigia solene e irrefutável era: “Promessa é dívida! ”
 Nas duas últimas edições acenei promessa de comentar aqui o excelente Tio Petros e a Conjectura de Goldbach do escritor grego Apostolos Doxiadis. Hoje, desejo honrar minha dívida.
Quando leio livro, uma pergunta recorrente é acerca da eleição de minha leitura. Agora estou lendo, o massudo e instigante Sapiens: uma breve história da humanidade. Atualmente é livro de não ficção mais vendido no Brasil. A primeira edição brasileira é de 2015, a minha é a 25ª. De vez em vez estou agradecendo a indicação da Carla.
Tio Petros e a Conjectura de Goldbach foi uma excelente sugestão de Luís Rafael Santos, chefe do Departamento de Matemática da UFSC Campus de Blumenau, quando no aeroporto de Navegantes comentava minha preferência por números primos.
A história começa em 1742, na correspondência entre Christian Goldbach e o famoso matemático suíço Leonhard Euler, foi formulada a seguinte questão: "Todo número inteiro par, maior que 2, pode ser representado como a soma de dois números primos".
Hoje, mais de 250 anos depois, a Conjectura de Goldbach tornou-se um dos problemas mais intrigantes da Matemática. Mesmo já tendo sido testada empiricamente até 1014, ninguém jamais conseguiu provar que a afirmação é válida para todos os números inteiros maiores que 2 e, recentemente, até um prêmio de 1 milhão de dólares foi oferecido a quem for capaz de demonstrá-la.
DOXIADIS, Apostolos, Tio Petros e a Conjectura de Goldbach – um romance sobre a história da Matemática. (Tradução de Cristiane Gomes de Riba) São Paulo, Editora 34,168 p. 14 x 21 cm, 2001 - 1ª edição; 2010 - 2ª edição ISBN 978-85-7326-197-4

 Este romance é a história de Petros Papachristos, um genial matemático grego, que dedicou sua vida a desafiar o enigma. Olivier Sacks, muitas vezes presente neste blogue, fez uma admirável síntese, que está na quarta capa do livro: "Uma conjectura matemática insolúvel por dois séculos; um tio gênio que enlouqueceu tentando resolvê-la; uma relação ambígua com seu sobrinho aspirante a discípulo; e uma acurada observação do ser humano fazem de Tio Petros um romance engraçado, encantador e, para mim, irresistível."
Sir Michael Atiyah, matemático vencedor da Fields Medal (equivalente ao Prêmio Nobel da Matemática) assim sintetizou o livro na mesma quarta capa: "Um livro brilhantemente escrito, uma história de detetive de grande charme, que realmente capta o espírito da pesquisa matemática." Já John Nash, Prêmio Nobel de Economia bem define Tio Petros: "Um retrato fascinante de como um matemático pode cair numa armadilha mental ao devotar seus esforços a um problema demasiadamente difícil."Quando leio algo da biografia de Apostolos Doxiadis um escritor grego nascido em 1953 (64 anos) em Brisbane, na Austrália mas criado na Grécia. Aos 15 anos, com um trabalho original de Matemática, foi aceito na University de Nova Yorkdou me conta da validade de minha defesa que a ‘história dos autores dá vida aos seus textos’. Fez pós-graduação na École Pratique des Hautes Études; mais tarde voltou-se para o cinema e a literatura.
Outro detalhe que influi em mim é ter conhecido pessoalmente os cenários descritos. Assim, Doxiadis com sua sumarenta narrativa, me fez voltar gostosamente à Grécia, pela segunda vez, no último abril.
Avalizado por estas experiências arvoro-me fazer sugestão a meus leitores: conheçam tio Petros, chamem o sonho com a busca dos dois números primos da conjectura de Goldbach. Desrecomendo buscar prova-la.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

09.— Uma iguaria calabresa


ANO
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3315
Reconheço-me devedor de uma resenha. Na última edição fiz promessa aqui do excelente Tio Petros e a Conjectura de Goldbach do escritor grego Apostolos Doxiadis. Mas urge dar ouvido ao Poeta: “Cesse tudo que a antiga musa cantam pois valor maior se levanta!”
Na última segunda-feira, 04/09, atendo sugestão recebida na edição de fim de semana de Zero Hora e vou no fim da tarde à UFCSPA para participar de parte da programação do II Encontro de Educação e Humanidades nas Ciências da Saúde: a Utilidade dos Saberes Inúteis. Sugestão que se converteu em uma noite premiadíssima.
Primeiro, retornar à Católica de Medicina, como chamávamos a Faculdade da Santa Casa, gérmen de cristalização da hoje viçosa “Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, com uma sigla quase impronunciável e nesse retorno rever amigos que há um tempo não encontrava: Bombassaro, Maura, Alfredo...
O momento maior foi a conferência de abertura: A utilidade dos saberes inúteis proferida pelo cientista italiano Nuccio Ordine. Talvez, das melhores conferências que já assisti.
Antes houve uma série de acepipes protocolares (as falas da Reitora, da Chefe do Departamento, da Coordenadora do evento...). Uma desta me traz surpresas e muita alegria. A Prof. Dra. Ana Boff de Godoy, que dividia a mesa com o conferencista (foto), ao fazer a apresentação do evento, narrou a história do mesmo, dizendo que lapso de seis anos entre o primeiro, em 2011 e este segundo agora, se devia que o conferencista de abertura de então — Professor Attico Chassot —  apontara entre as exigências para que recém fundada UFCSPA se constituísse plenamente em uma Universidade estava em uma muito forte presença nas Ciências Humanas. Ressaltou que, as exigências formuladas em 2011 se vêem cumpridas, oferecendo destaque a criação do Departamento de Educação e Humanidades. Talvez, eu não tenha sido fiel às palavras da Ana, pois me embarguei emocionado.
 A fala do Prof. Nuccio Ordine (nascido em 1958, Professor da UNICAL - Università della Calabria, Itália) foi, como já referi, excepcional. Ele é crítico literário e conhecido internacionalmente como árduo defensor dos saberes humanistas; seus livros estão traduzidos em cerca de 25 países. No Brasil merecem destaque: A cabala do asno e A utilidade dos saberes inúteis (Zahar, 2016).
Nuccio Ordine, evidenciando uma muita densa cultura, falou sobre o tema de seu livro "A Utilidade do Inútil" e por primeiro mostrou a um auditório lotado e sequioso por saber quais são os saberes inúteis: nos dias atuais, parecem inúteis todos aqueles saberes que não geram dinheiro. Eis uma situação até bastante usual: Um aluno que termina o ensino médio de uma maneira brilhante e decide o que quer estudar na Universidade: Filosofia ou História da arte; Língua latina ou aprender a tocar cítara ou algo similar. Qual, interrogação mais frequente dos pais ou dos amigos e até dos professores: Mas, por que não fazer Engenharia ou Medicina? Filosofia e outras opções profissionais são considerados saberes inúteis pois não garante um apreciável retorno financeiros.
O empolgado e empolgante calabrês afirmou, repedidas vezes, não há como se comprovar a "utilidade" das ciências humanas, porque as ciências humanas não são palpáveis, não visam a produção de bem durável, mas o saber pelo saber: "O utilitarismo está causando danos terríveis para as nossas vidas pessoais. Tudo é reduzido ao valor econômico".
O conferencista criticou a hiperespecialização dos saberes e o utilitarismo. Enfocou que saúde e educação são os pilares de uma sociedade, que é preciso nutrir corpo e mente. Segundo Nuccio, os governos deveriam parar de pensar a educação como uma fonte de lucros, mas como uma fonte de desenvolvimento: "Uma população saudável e instruída pode favorecer um crescimento econômico sustentável", destacou.
A palestra teve ainda a marca de ser hiperpolitizada e contextualizada especialmente nas crises de corrupção vividas pela Itália e Brasil. Ordine referiu também que algumas pessoas poderiam achar estranho o fato de ele, um professor de literatura, palestrar em uma universidade da saúde. Segundo ele, não deveria ocorrer esta estranheza, dado que os conhecimentos das diferentes áreas conversam entre si.

ORDINE, Nuccio. A utilidade do inútil um manifesto. Rio de Janeiro: Zahar, 2016, (L’utilità dell’inutile: manifesto, tradução autorizada de Luiz Carlos Bombassaro da 12º edição italiana de Bompiani, de Milão, Itália),  223 p. ISBN 978-85-378-1520-5.  Em www.zahar.com.br estão disponibilizados .pdf de algumas páginas.

A leitura do livro A utilidade do inútil um oportunizará àqueles que não tiveram o privilégio de ouvir calabrês Nuccio Ordine e usufruir as dezenas de historietas e citações trazida na palestra. No livro elas estão mais densamente narradas. Esta é uma sugestão que faço entusiasmado. À leitura, auguri a tuti!

domingo, 3 de setembro de 2017

03.— “Das Disciplinas à indisciplina”: Um anúncio de esperança


 

ANO
 12
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EDIÇÃO
3314

Ontem à noite, terminei a leitura de um livro que catalisou significativas reflexões acerca do (meu) fazer acadêmico. Pensava hoje fazer aqui uma resenha. Chega-me, então, um comentário de um leitor que desbancou minha intenção.
Para não parecer por demais vaidoso, pretextei que Tio Petros e a Conjectura de Goldbach (obrigado, pela sugestão, Luiz Rafael Santos, chefe do Departamento de Matemática da UFSC Campus de Blumenau) precisava uma melhor maturação.
Assim, a primeira blogada desta adventícia primavera se faz —autorizado pelo autor — com um texto de Mateus Lorenzon. A ele meus agradecimentos.
CHASSOT, Attico. Das disciplinas à indisciplina. Curitiba: Appris 239 p. 2016. ISBN 978-85-473-0297-9
“Das Disciplinas à indisciplina”: Um anúncio de esperança  As ideias de Attico Chassot são basilares nas práticas pedagógicas que desenvolvo para e com as crianças. Quando eu havia recém ingressado na graduação, foram as leituras de livros de autoria do Mestre, tais como Para Que(m) é Útil o Ensino? (Editora Unijui, 1995) e Alfabetização Científica: Questões e desafios para a educação (Editora Unijui, 2011), que me instigaram a devanear acerca das possibilidades de constituir uma educação comprometida com a transformação social e a dignificação da vida dos sujeitos mais marginalizados.
Passado algum tempo, tive oportunidade de ser avaliado pelo Professor Attico Chassot em minha qualificação. O aceite do Mestre Chassot, em participar daquele momento, despertou certa angústia, visto que falamos de um autor, que além de uma vasta produção bibliográfica, possui larga experiência como docente e é dotado de uma rigorosidade intelectual, que o fazem uma das principais referências para a Educação Científica. Em ocasião de sua visita a nossa instituição, tive oportunidade de assistir a palestra “Das disciplinas à indisciplina” proferida pelo autor e que fazia referência ao seu livro mais atual.
A necessidade de propor um ensino que supere os limites da disciplinares é um tema recorrente nos círculos educacionais. Todavia, parece haver um grande abismo entre o real e o ideal, visto que as práticas escolares não correspondem ao esperado. Essa dicotomia faz com que discursos ingênuos adotem uma postura de culpabilização dos docentes, visto que parece ser somente sua responsabilidade propor mudanças na educação. No livro “Das disciplinas à indisciplina”, Chassot (2016) propõe um caminho inverso, demonstrando, por meio de uma revisão da história da Ciência, que o otimismo científico e a rigidez das fronteiras entre as diferentes ciências são construções históricas que estão arraigadas no modo de pensar (e ser) dos sujeitos ocidentais.
O autor recorre, com extraordinária capacidade de síntese e análise, aos grandes nomes da ciência - Copérnico, Lavosier, Darwin e Freud - demonstrando o quão angustiante a mudança paradigmática e as novas ideias podem ser a aqueles que a vivenciam. A fogueira que consumiu Giordano Bruno ou a repulsa de muitos contemporâneos a Darwin, são aparentes exemplos de predisposição existente ao conservadorismo, frente as mudanças nos modos de pensar. Assim, a emergência do inaudito parece despertar uma perigosa postura nostálgica. Nesse viés, o escrito de Chassot (2016) é, concomitantemente, um anúncio de esperança, uma provocação e um convite. Um chamamento para libertarmo-nos das posturas fatalistas da história, nas quais os modos de pensar a escola e a produção do conhecimento são apresentadas como transcendentais ao homem.
Mario Osório Marques afirmava que quando escrevemos convidamos alguns amigos, interlocutores com os quais conversamos. Os convidados de Chassot são de diferentes áreas, fazendo com que o seu texto seja uma porta para novas leituras. Confesso, que causaria espanto um leitor, concluir o estudo do texto, sem sentir a necessidade de ir com urgência à biblioteca em busca de Prigogione, Chrétein e Skármeta. Assim, os diálogos propostos pelo autor, além de terem uma beleza estética, acabam sendo um convite a mergulhos mais aprofundados na história da ciência, na poesia e na epistemologia.
A leveza da escrita deixa transparecer a humildade do autor e a postura empática com professores da Educação Básica. Poderíamos sintetizar a obra do como um convite a nos comprometermos com a educação indisciplinar e sermos sermos verdadeiros autores em uma revolução paradigmática que demonstra ser necessária.
Por onde devemos começar?
Após a leitura “Das Disciplinas à indisciplina”, esboço uma resposta de que ser indisciplinar implica, não apenas romper as ‘artificiais’ fronteiras que separam as áreas da ciência moderna ocidental, mas sim restaurar o caráter humano ao conhecimento científico, apostar em uma educação que conceba o indivíduo como sujeito integral - sem a separação razão/emoção, corpo/mente, promover a aproximação entre racionalidade e poesia/arte e, sobretudo, buscar um currículo que com olhe com atenção aos saberes primevos, historicamente marginalizados e colonizados pela Ciência.
Mateus Lorenzon
Professor da Rede Pública de Ensino Arroio do Meio – RS
Mestrando da UNIVATES, Lajeado RS

sábado, 26 de agosto de 2017

26.— Um muito significativo estar em Blumenau.

       

ANO
 12
Agora um hebdomadário
EDIÇÃO
3313

            


Há incursões que fazem história, quando algo que é quase rotina se trasveste em sumarentos momentos de aprendizagem. Na última quarta-feira, 23 de agosto, fui, uma vez mais, à germânica Blumenau. Fiz a usual viagem: um voo de 50 minutos Porto Alegre/Navegante mais uma viagem por terra de quase o dobro do tempo.

Atendia a atencioso convite de estudantes do curso de Química para participar da I Semana Acadêmica Integrada de Química, do campus da UFSC de Blumenau. Desde que UFSC está em Blumenau, a cada ano, tenho sido distinguido com convite para estar com os corpos discente e docente.

Na noite de quarta, tendo como anfitriã a querida colega cuiabana Ana Carolina Araújo da Silva, atendendo ao tema que me foi proposto: “Exigências de estar no novo mundo (da Academia)” falei para cerca de 200 pessoas. Desta fala vou destacar uma publicação de Clarissa Rodrigues, Professora da Universidade Federal de Ouro Preto: “Emoção de ser convidada para falar no mesmo evento que o professor Attico Chassot é convidado e, ainda, ouvi-lo começar sua fala bradando ‘Fora Temer’!”

Tenho sempre insistido com aqueles que me convidam para uma fala que, ao considerarmos os custos de deslocamentos, estadias etc. não é válido restringirmos nossas atividades a apenas um encontro. Por tal, na parte da tarde, minha sempre atenciosa colega Arleide Rosa da Silva, da FURB organizou uma atividade muito enriquecedora para mim.

Fui visitar a Escola de Educação Básica Municipal Visconde de Taunay — uma escola que tem reconhecimento internacional e por tal é certificada e laureada pela RIEC.

A Rede de Escolas Criativas surgiu em Barcelona em 2007. Em 2012 tornou-se uma rede internacional, a RIEC, idealizada pelo professor espanhol Saturnino de La Torre, quando do encerramento do IV INCREA - Forum Internacional: Innovación y creatividad: Adversidades y Escuelas creativas, realizado em Barcelona. A sede da RIEC está localizada na Universidade de Barcelona, já está presente no Brasil e em diversos outros países.

A RIEC tem como missão criar uma consciência coletiva de troca para gerar ações comprometidas, orientadas a uma educação transformadora, cujos princípios se fundamentam na criatividade, na transdisciplinaridade, ecoformação e complexidade. A proposta busca resgatar, reconhecer e difundir o potencial criativo de escolas com trajetória inovadoras, que podem servir de referencial em um processo transformador do sistema educativo.

Não tenho condições de narrar tudo que vivencia na tarde desta quarta na EEBM Visconde de Taunay. Talvez o mais seja reconhecer que ao invés de falar por mais de uma hora houvesse prolongado aquela conversação sumarenta na café após minha fala.

 Recebi, com carinhosa dedicatória o livro Projetos criativos e ecoformadores na Educação Básica: uma experiência em formação de professores na perspectiva da criatividade*, no qual a Arleide é co-autora junto com as professoras Jeane Pitz Pukall e Vera Lúcia de Souza e Silva que descreve significativos fazeres de uma Escola que sonharia, no meu continuado laborar em utopias, saber existir por todo Brasil.

*Blumenau: Nova Letra, 2017, 90 p. ISBN 978-85-460-0151-4

Vale ver: http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/222-537011943/33321-escola-publica-catarinense-e-reconhecida-por-iniciativas-voltadas-para-a-sustentabilidade

Vale ver também  https://www.youtube.com/watch?v=b1SH7CAqFjE & http://vtsustentavel.blogspot.com.br/

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

18.— Vale colaborar com a Wikipédia


ANO
 12
Agora um hebdomadário
EDIÇÃO
3312

                                        


Antes de trazer o que fulcral nesta edição semanal, um registro da viagem desta semana. Diferente da semana anterior que me deslumbrei com o convite para uma banca de doutorado e uma conferência em Bogotá e depois encantei-me com Cartagena, essa semana fiquei no Rio Grande do Sul. Na tarde e noite desta quinta-feira estive Lajeado, onde a Univates, merecidamente se engalana no festejamento de sua ascensão à Universidade; agora é por mérito Universidade do Vale do Taquari.

À tarde, participei da sessão de qualificação do pedagogo Mateus Lorenzon que apresentou sua proposta de dissertação, no Programa de Pós-graduação em Ensino: ENSINO POR INVESTIGAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL. A sessão de qualificação foi presidida pela Professora Jacqueline Silva da Silva, orientadora da dissertação e participaram como examinadores externos: o Professor Roque Ismael da Costa Güllich da UFFS e eu; como examinador interno o Professor José Cláudio Del Pino. A banca reconheceu méritos no trabalho e aditou sugestões estimulado a continuação da proposta.

À noite falei para graduandos de Pedagogia e de licenciaturas com professores, mestrandos e doutorando, acerca das exigências de migrarmos das disciplinas à indisciplina.

De maneira muito frequente tenho feito duas afirmações acerca da Wikipédia: A primeira, ela se constitui no melhor exemplo da democratização do conhecimento; então, evoco o quanto na minha infância e mesmo na minha adolescência ter ou não ter uma enciclopédia fazia diferença. A enciclopédia era um artefato cultual acessível apenas aos mais abonados. Lembro que íamos ‘fazer os temas’ nas casas de colegas que tinham enciclopédia.

A outra, o quinto sou um usuário frequente da Wikipédia; talvez uma meia dúzia de vezes a cada dia. Tenho ainda, uma enciclopédia em 30 volumes em suporte papel (doei uma de 20 volumes há mais de 10 anos; hoje escolas declinam doações deste gênero). Passam meses sem que a consulte.

Este preâmbulo vem a propósito de uma mensagem recebida de Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, pois há dois anos eu fizera uma doação a Wikipédia da qual transcrevo excertos:

Quando eu criei a Wikipédia como uma organização sem fins lucrativos, todos me disseram que eu me arrependeria disso. Mas aqui estamos nós, mais de 10 anos depois, e a Wikipédia ainda é um dos dez principais sites, mantido por uma organização sem fins lucrativos e uma comunidade de voluntários dedicados.
Se já parei para pensar no quanto teríamos lucrado se a Wikipédia fosse um site comum? Claro que já. Mas acredito que as pessoas não se sentiriam tão motivadas a criar conteúdo para a Wikipédia e que você não confiaria em nós se estivéssemos buscando apenas o benefício próprio. A Wikipédia não é minha, é de todos.
Se todos que já contribuíram fizessem, hoje, uma nova doação, nossa campanha de arrecadação de fundos alcançaria sua meta dentro de uma hora. Ainda não chegamos lá. Por favor, ajude-nos a alcançar a meta de arrecadação e a melhorar ainda mais a Wikipédia.
Por sermos um site administrado quase que exclusivamente por voluntários extremamente comprometidos com a divulgação gratuita de informações, seria inadequado pedir dinheiro a patrocinadores. Em vez disso, contamos com a ajuda de leitores como você.
Sabemos que é irônico dizer “o conhecimento deve ser gratuito” e depois pedir que você pague por ele. Mas a alternativa seria que, se você e os outros milhões de leitores, editores e contribuintes da Wikipédia não doassem, o princípio de livre acesso que tanto prezamos correria sérios riscos.
Portanto, agora é hora de pedir ajuda. 

Se a Wikipédia é útil para você, pedimos que você reserve um minuto para ajudá-la a continuar on-line, livre de anúncios e crescendo cada vez mais.

Acesse https://donate.wikimedia.org

Parece que vale colaborar. Muito estimadas leitoras e estimados leitores, relevem meu pedido. Mas parece-me uma causa muito nobre. Eu vou renovar a doação.

domingo, 13 de agosto de 2017

!3.— Desde Cartagena

ANO
 12
EDIÇÃO
3311

                                        


Não é demais repetir: desde o dia 30 de julho, data que este blogue completou 11 anos, frequência é semanal, circulando aos fins de semana; isto é: desde pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de domingo.

Hoje escrevo na madrugada de domingo, desde Cartagena na Colômbia — cidade que há muito desejava conhecer — onde cheguei o final da manhã de ontem.

Na última edição deste blogue contei que já estivera neste importante país latino-americano em 2009. Então fiz cinco falas em Bogotá (3), Medelín e Pasto. Então, fui lembrado que não estivera em uma linda cidade colombiana. A Wikipédia me ensinara que “Cartagena das Índias ou, simplesmente, Cartagena é a capital do departamento de Bolívar. É a quinta maior cidade do país, e a segunda maior da região, depois de Barranquilla; e sua região metropolitana é a quinta maior concentração urbana da Colômbia”.

Vim à Cartagena depois de ter estado em Bogotá na Universidad Distrital Francisco José de Caldas, no Programa de Doctorado Interinstitucional em Educación, onde na quinta-feira, dentro do Seminario de Miradas Contemporáneas en Educación apresentei a palestra “Desde a la certeza as las incertezas”.
 Na sexta participei como jurado, na apresentação pública da tese, aprovada com louvor, “Relaciones ciencia – religión y enseñanza de la evolución. Estudio de casos con profesores de biología de educación básica secundaria” pelo agora doutor Gonzalo Peñaloza Jiménez, A tese foi dirigida pelo Dr. Carlos Javier Mosquera Suárez, Reitor da Universidade Distrital.

Na tarde sexta, as doutorandas Claudia Maria, Marisol e Yamil, me oportunizaram conhecer a montanha de Monserrate, o mais conhecido dos cerros Orientais de Bogotá. Junto com montanha de Guadalupe é um dos morros tutelares da cidade. Monserrate tem uma altitude de 3152 metros e localiza-se sobre a cordilheira oriental. Os morros de Bogotá, de origem sedimentaria, têm pelo menos 16 milhões de anos de idade. Até meados do século 17 foi conhecido como morro das Neves. A basílica do Senhor de Monserrate é lugar de peregrinação religiosa desde a época colonial e constitui-se numa atração natural, religiosa e gastronômica da cidade. Pode-se subir ao morro por caminho peatonal, por funicular ou por teleférico, que foi a nossa opção. Almoçamos no lindo restaurante Santa Clara. Lá em cima o soroche (tonturas e dificuldades respiratórias) que ‘nos brinda’ de maneira usual Bogotá é aumentado.

Minha referência anterior à Cartagena era através de um colombiano de Arataca: o renomado jornalista e escritor colombiano Gabriel García Márquez, (1927—2014) laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1982, autor do clássico do gênero literário realismo-fantástico latino-americano Cem Anos de Solidão, de 1967, viveu por muitos anos em Cartagena, cuja casa vi ontem. Esta cidade foi inspiração para dois de seus livros: Ninguém Escreve ao Coronel, de 1961 e El amor en los tiempos del cólera (O Amor nos Tempos do Cólera), de 1985.

Mas é, ainda a Wikipédia que me ensina que Cartagena tem uma das mais significantes atividades econômicas os complexos marítimos, pesqueiros, petroquímicos e o turístico. A cidade foi fundada em 1 de junho de 1533, e foi batizada em homenagem a Cartagena, na Espanha. No entanto, o assentamento de vários povos indígenas na região da Baía de Cartagena data de 4000 a.C. Durante o período colonial, a cidade teve um papel fundamental na administração e na expansão do Império Espanhol nas Américas, sendo sede de governo e moradia dos vice-reis espanhóis. O centro histórico de Cartagena, conhecido como a cidade fortificada onde à tarde de ontem bati pernas por mais de cinco horas, foi declarado Patrimônio Nacional da Colômbia, em 1959, e posteriormente Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1984. Em 2007, suas fortificações e planejamento arquitetônico militar foram declarados como a quarta maravilha da Colômbia.
Cartagena foi um dos mais importantes portos comerciais durante o período colonial espanhol nas Américas. Era especialmente utilizado para escoar ouro e prata aos portos da Espanha de Cartagena, Cádiz e Sevilha para a Coroa Espanhola. O ouro e a prata, extraídos de minas, principalmente, em Nova Granada e no Peru eram transportados até Cartagena, e embarcados nos galeões espanhóis, passando pelo porto de Havana, Cuba com destino aos portos da Espanha.
Cartagena veio a se tornar, ao longo do período colonial, um dos maiores centros do comércio de escravos oriundos da África (juntamente com Veracruz, México; era a única cidade oficialmente autorizada, pela Coroa Espanhola, a realizar o comércio de escravos nas Américas. Os primeiros escravos africanos que chegaram em Cartagena usados, como mão-de-obra, como cortadores de cana, em abrir estradas, construir prédios e fortalezas e, também, para destruir tumbas da população aborígene do Sinú, para encontrar ouro e outras preciosidades que faziam parte dos acessórios funerários.
Em 5 de fevereiro de 1610, foi instaurado o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, em Cartagena, através de um decreto emitido pelo rei Filipe II. O Palácio da Inquisição — que conheci na tarde de ontem e revi esta manhã — de arquitetura colonial, concluído em 1770, ainda preserva sua fachada original. Quando Cartagena declarou sua independência da Espanha, em 11 de novembro de 1811, os inquisidores foram intimados a deixar a cidade. A Inquisição voltaria, depois da Reconquista, em 1815, mas acabaria por desaparecer completamente, seis anos depois, após a derrota espanhola, forçada por tropas lideradas por Simón Bolívar.
Nestas pouco mais de 24 horas que passei na histórica cidade aprendi muito. Sou particularmente agradecido ao senhor Luís Carlos, guia do Museu do Ouro, que se auto-intitula “reconhecido historiador e professor” que extrapolou em muito os seus fazeres no Museu do Ouro levando-me a praças (quando as praças têm bancos são parques, corrigia-me, Don Luis) igrejas e ao prédio do extinto Tribunal do Santo Ofício. 
Acerca das extensas caminhadas da tarde de ontem e da manhã de hoje tenho uma adjetivação: árduas. O sol era muito quente, as calçadas muito estreitas (apenas para uma pessoa) esburacadas e com degraus muito altos. Esta manhã vis um citytour de ônibus, pela parte extra-muros. Não valeu muito pois não era dada nenhuma informação histórica.
È muito significativo se observar o número de luxuosos estabelecimentos comerciais (hotéis, restaurantes...) e culturais (bibliotecas, universidades...) que foram recuperados de antigos monastérios, mosteiros, claustros. Um exemplo de cada grupo que visitei: o hotel mais luxuoso de Cartagena (hotel Santa Clara) foi um convento de irmãs Clarissa. A Universidade de Cartagena tem diversas dependências, em prédios históricos, como o Claustro de los Agustins, que foi um mosteiro de frades agostinianos,
Esta blogada que complementei nos aeroportos de Cartagena e Bogotá tem uma síntese: eu fui a Cartagena e ali aprendi bastante. Ratifico algo que escrevi no meu diário de ontem: Fazer turismo sozinho é algo triste. Antes do voo Bogotá/ Guarulhos pretendo postar este texto. Amanhã será bom estar na minha Morada dos Afagos.