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domingo, 13 de agosto de 2017

!3.— Desde Cartagena

ANO
 12
EDIÇÃO
3311

                                        


Não é demais repetir: desde o dia 30 de julho, data que este blogue completou 11 anos, frequência é semanal, circulando aos fins de semana; isto é: desde pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr-do-sol de domingo.

Hoje escrevo na madrugada de domingo, desde Cartagena na Colômbia — cidade que há muito desejava conhecer — onde cheguei o final da manhã de ontem.

Na última edição deste blogue contei que já estivera neste importante país latino-americano em 2009. Então fiz cinco falas em Bogotá (3), Medelín e Pasto. Então, fui lembrado que não estivera em uma linda cidade colombiana. A Wikipédia me ensinara que “Cartagena das Índias ou, simplesmente, Cartagena é a capital do departamento de Bolívar. É a quinta maior cidade do país, e a segunda maior da região, depois de Barranquilla; e sua região metropolitana é a quinta maior concentração urbana da Colômbia”.

Vim à Cartagena depois de ter estado em Bogotá na Universidad Distrital Francisco José de Caldas, no Programa de Doctorado Interinstitucional em Educación, onde na quinta-feira, dentro do Seminario de Miradas Contemporáneas en Educación apresentei a palestra “Desde a la certeza as las incertezas”.
 Na sexta participei como jurado, na apresentação pública da tese, aprovada com louvor, “Relaciones ciencia – religión y enseñanza de la evolución. Estudio de casos con profesores de biología de educación básica secundaria” pelo agora doutor Gonzalo Peñaloza Jiménez, A tese foi dirigida pelo Dr. Carlos Javier Mosquera Suárez, Reitor da Universidade Distrital.

Na tarde sexta, as doutorandas Claudia Maria, Marisol e Yamil, me oportunizaram conhecer a montanha de Monserrate, o mais conhecido dos cerros Orientais de Bogotá. Junto com montanha de Guadalupe é um dos morros tutelares da cidade. Monserrate tem uma altitude de 3152 metros e localiza-se sobre a cordilheira oriental. Os morros de Bogotá, de origem sedimentaria, têm pelo menos 16 milhões de anos de idade. Até meados do século 17 foi conhecido como morro das Neves. A basílica do Senhor de Monserrate é lugar de peregrinação religiosa desde a época colonial e constitui-se numa atração natural, religiosa e gastronômica da cidade. Pode-se subir ao morro por caminho peatonal, por funicular ou por teleférico, que foi a nossa opção. Almoçamos no lindo restaurante Santa Clara. Lá em cima o soroche (tonturas e dificuldades respiratórias) que ‘nos brinda’ de maneira usual Bogotá é aumentado.

Minha referência anterior à Cartagena era através de um colombiano de Arataca: o renomado jornalista e escritor colombiano Gabriel García Márquez, (1927—2914) laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1982, autor do clássico do gênero literário realismo-fantástico latino-americano Cem Anos de Solidão, de 1967, viveu por muitos anos em Cartagena, cuja casa vi ontem. Esta cidade foi inspiração para dois de seus livros: Ninguém Escreve ao Coronel, de 1961 e El amor en los tiempos del cólera (O Amor nos Tempos do Cólera), de 1985.

Mas é, ainda a Wikipédia que me ensina que Cartagena tem uma das mais significantes atividades econômicas os complexos marítimos, pesqueiros, petroquímicos e o turístico. A cidade foi fundada em 1 de junho de 1533, e foi batizada em homenagem a Cartagena, na Espanha. No entanto, o assentamento de vários povos indígenas na região da Baía de Cartagena data de 4000 a.C. Durante o período colonial, a cidade teve um papel fundamental na administração e na expansão do Império Espanhol nas Américas, sendo sede de governo e moradia dos vice-reis espanhóis. O centro histórico de Cartagena, conhecido como a cidade fortificada onde à tarde de ontem bati pernas por mais de cinco horas, foi declarado Patrimônio Nacional da Colômbia, em 1959, e posteriormente Patrimônio Mundial pela Unesco, em 1984. Em 2007, suas fortificações e planejamento arquitetônico militar foram declarados como a quarta maravilha da Colômbia.
Cartagena foi um dos mais importantes portos comerciais durante o período colonial espanhol nas Américas. Era especialmente utilizado para escoar ouro e prata aos portos da Espanha de Cartagena, Cádiz e Sevilha para a Coroa Espanhola. O ouro e a prata, extraídos de minas, principalmente, em Nova Granada e no Peru eram transportados até Cartagena, e embarcados nos galeões espanhóis, passando pelo porto de Havana, Cuba com destino aos portos da Espanha.
Cartagena veio a se tornar, ao longo do período colonial, um dos maiores centros do comércio de escravos oriundos da África (juntamente com Veracruz, México; era a única cidade oficialmente autorizada, pela Coroa Espanhola, a realizar o comércio de escravos nas Américas. Os primeiros escravos africanos que chegaram em Cartagena usados, como mão-de-obra, como cortadores de cana, em abrir estradas, construir prédios e fortalezas e, também, para destruir tumbas da população aborígene do Sinú, para encontrar ouro e outras preciosidades que faziam parte dos acessórios funerários.
Em 5 de fevereiro de 1610, foi instaurado o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, em Cartagena, através de um decreto emitido pelo rei Filipe II. O Palácio da Inquisição — que conheci na tarde de ontem e revi esta manhã — de arquitetura colonial, concluído em 1770, ainda preserva sua fachada original. Quando Cartagena declarou sua independência da Espanha, em 11 de novembro de 1811, os inquisidores foram intimados a deixar a cidade. A Inquisição voltaria, depois da Reconquista, em 1815, mas acabaria por desaparecer completamente, seis anos depois, após a derrota espanhola, forçada por tropas lideradas por Simón Bolívar.
Nestas pouco mais de 24 horas que passei na histórica cidade aprendi muito. Sou particularmente agradecido ao senhor Luís Carlos, guia do Museu do Ouro, que se auto-intitula “reconhecido historiador e professor” que extrapolou em muito os seus fazeres no Museu do Ouro levando-me a praças (quando as praças têm bancos são parques, corrigia-me, Don Luis) igrejas e ao prédio do extinto Tribunal do Santo Ofício. 
Acerca das extensas caminhadas da tarde de ontem e da manhã de hoje tenho uma adjetivação: árduas. O sol era muito quente, as calçadas muito estreitas (apenas para uma pessoa) esburacadas e com degraus muito altos. Esta manhã vis um citytour de ônibus, pela parte extra-muros. Não valeu muito pois não era dada nenhuma informação histórica.
È muito significativo se observar o número de luxuosos estabelecimentos comerciais (hotéis, restaurantes...) e culturais (bibliotecas, universidades...) que foram recuperados de antigos monastérios, mosteiros, claustros. Um exemplo de cada grupo que visitei: o hotel mais luxuoso de Cartagena (hotel Santa Clara) foi um convento de irmãs Clarissa. A Universidade de Cartagena tem diversas dependências, em prédios históricos, como o Claustro de los Agustins, que foi um mosteiro de frades agostinianos,
Esta blogada que complementei nos aeroportos de Cartagena e Bogotá tem uma síntese: eu fui a Cartagena e ali aprendi bastante. Ratifico algo que escrevi no meu diário de ontem: Fazer turismo sozinho é algo triste. Antes do voo Bogotá/ Guarulhos pretendo postar este texto. Amanhã será bom estar na minha Morada dos Afagos. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

05.— Inauguram as edições hebdomadárias

ANO
 12
Agora, com edições semanais
EDIÇÃO
3310

 

 


Na última edição, na tentativa conferir uma sobrevida a este blogue, anunciei que haveria uma edição por semana, com circulação aos fins de semana. Esta é a primeira edição hebdomadária — palavra erudita para caracterizar um evento que ocorre a cada semana.

Escrevo no day after à lutuosa confirmação que os tempos temerosos se estenderão. Eu não tenho condições emocionais para narrar os sentimentos de tristeza e nojo que me assolam.

Esta escrita é tecido na viagem de mais de três horas entre Belém e Rio de Janeiro, donde prosseguirei à Porto Alegre.

Cheguei, pela segunda vez este ano, à capital do Pará na tarde de terça-feira. Ontem cumpri uma agenda com dois pontos. Pela manhã, com os colegas Leila do Socorro R. Feio, Licurgo P. de Brito e Jônatas Barros e Barros participei da defesa de tese da doutoranda Rocío Rubí Calla Salcedo, que teve como orientador o Prof. Dr. José Jerônimo de Alencar Alves. Na foto, da esquerda para direita: Jônatas, Jerônimo, Rocío Rubi, eu, Leila e Licurgo.

Rubí, professora da UFAP em sua tese OS PRIMORDIOS DO ENSINO DE CIENCIAS NA MODERNIDADE AMAPAENSE (1947–1963), investigou a introdução das Ciências no Território do Amapá, analisando os discursos dos governantes, os decretos de leis, os regulamentos, os jornais da época, arquivo do único colégio de então e outros fatores relacionados à educação. Foi possível perceber o movimento de introdução das disciplinas científicas no currículo do Colégio Amapaense em momentos específicos, atendendo aos discursos governamentais em vigor e em consonância com o projeto maior de introdução das ciências modernas na Amazônia e de toda atitude de estabelecimento dos novos costumes “modernos” na região.

Ao encerrar minha intervenção, onde trouxe análises e contribuições à versão final evoquei um dito atribuído a Tolstoi “Se quiseres conhecer o mundo, narra primeiro a tua aldeia”. Vi isso na postura da Rubi, uma peruana há 15 anos no Brasil, quis conhecer como ocorreu a introdução das Ciências no então Território Federal do Amapá criado em 1943; obtidas algumas respostas procurou ver como tal aconteceu na Amazônia e mesmo na multiculturalidade formada pelos Brasis.

À tarde atendi a convite do Grupo de Estudos em Educação Matemática e Cultura Amazônica (GEMAZ) e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e História da Ciência (GFHC) falei para mais de 100 professores, mestrandos e doutorandos discutindo as exigentes e necessárias transição da certeza às incertezas. Nesta atividade tive a satisfação de ter um grupo de cerca de 40 graduandos do curso de Química que usam o livro A Ciência através dos tempos em uma de suas disciplinas.

Duas perguntas foram centrais na animação das discussões: Por que não houve revoluções científicas no Oriente? e Por que houve revoluções científicas no Ocidente?

Houve, então, uma terceira pergunta: acerca de nossas leituras do Ocidente e do Oriente: dados dois grupos: #1) Selvagens terroristas; #2) Pessoas de cultura... Quem é Ocidental? Quem é Oriental? Quem são os outros? Quem somos nós?

Depois deste relato de fazeres na primeira semana agostina anuncio uma segunda semana muito especial. Na segunda-feira vou a São Lourenço do Sul, para no campus da Universidade Federal do Rio Grande participar no Curso de Licenciatura em Educação do Campo Ênfase em Ciências da Natureza e Ciências Agrárias do 1º Seminário de Ciências na Educação do Campo: “Fortalecendo a Formação de Professores em Ciências da Natureza e Agrárias”.

Na quarta-feira viajo à Bogotá para da defesa da tese: ”Relaciones ciencia – religión y enseñanza de la evolución. Estudio de casos con profesores de biología de educación básica secundaria” na Universidad Distrital Francisco José de Caldas no Programa de Doctorado Interinstitucional em Educación e também para proferir um seminário “Desde a la certeza as las incertezas”.

Nesta viagem sonho conhecer Cartagena de Índias, pois quando em 2009 dei palestras em cinco diferentes universidades colombianas foi me dito que deixara de estar em uma das mais lindas cidades. Talvez, agora.