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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

12.- Das minhas (in)capacidades


ANO
 12
LIVRARIA VIRTUAL em
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3333



Primeiro, celebro que esta segunda edição januária coincide com este excepcional capicuio. Outro parecido só acontecerá dentro de mais de três anos, se as edições ainda fossem diárias. Vivemos um janeiro que ainda não chegou a metade, mas se faz vagaroso. Parece que espera sofrida do dia 24 é apascentada por cágados.
Na manhã desta sexta tudo parecia dar certo. Antes das 8 horas já tinha retornado de uma exitosa consulta, há longo tempo agendada na RFB. Vi hoje que muitas vezes no temor do leão é infundado.
Compensações de tensões vieram a seguir. Já uso computador há quase 30 anos. Tenho que reconhecer que neste período escrevi muitas vezes mais que no quase meio século anterior. Não consigo imaginar toda a minha produção escrita não fosse este recurso que ora amo de paixão ilimitada e outras vezes abomino. Há situações que ele se compraz em atestar meu parecimento com um jumento.
Vivi hoje uma sequência de humilhações. Primeiro, sem querer cedi a uma mensagem que desde o começo da semana me importunava. É preciso reiniciar seu computador para garantir a integridade de sua proteção antiviral. Por não seguir a ordem, de vez em vez vinha uma mensagem: “Um terrível vírus foi detectado”.
Cedi as ameaças e por mais de uma hora tudo que via era: “Seu computador esta sendo atualizado! não desligue!”. Meia manhã a operação foi dada como terminada.
Acesso o primeiro texto, sôfrego de transferir ao disco rígido as elucubrações que numa madrugada insone acumulara no meu ‘lapKopf’. Agora as páginas ao invés de correrem na vertical, como sempre ocorrera em toda minha venturosa faina de escrevinhador, corriam na horizontal e o número de página de cada documento era multiplicado por quatro. Custei, mas bravamente achei solução. Era um vitorioso que descobrira sozinho o caminho. Felicitei-me.
Ilusão. Agora toda vez que queria escrever algo em um texto recebia uma mensagem: Esta edição é apenas de leitura, você não está autorizado a alterar! Assim eu não era dono de nenhum dos meus arquivos em Word. Pesquisei. Fiz muitas buscas. Nada. Todos os meus arquivos eram invioláveis. Depois de mais de meia hora de apavoramento telefonei para uma de minhas filhas. A Clarissa disse: “Dá um esc!” Vivas! tudo se resolveu. Obrigado, filha. Não tinha tempo para papos. Precisa escrever. Agora podia finalmente digitar nos ‘meus’ arquivos. Senti-me poderoso.
Mais uma ilusão em uma sexta-feira sonhada para ser produtiva. Agora a tecla ‘Insert’ estava habilitada e se fosse mexer em um texto tudo o que escrevia, comia o que antes fora escrito. Menos trágico que as sinas anteriores, mas quem é um péssimo datilógrafo como eu tem a sua produção escrita literalmente comida. Isto é não dá para inserir, só para subsistir. Não dá para transformar camelo em caramelo pela digitação de um ra. Novas pesquisas e alguns consolos. A ‘tecla insert’ no teclado tem a mesma serventia que o apêndice no corpo humano e recebia sugestões de como fazer uma ‘insertomia’. Recebi muitas sugestões. Nenhuma funcionava.
Precisei dar uma saída. Longe da máquina os anjos sopram sugestões. Retorno. Acolho uma sugestão angelical que dantes já me salvou muitas vezes. Reiniciei o computador e voltei a ser feliz. Adoro, de novo, meu computador. Nesta blogada compartilho minha alegria com votos de venturoso fim de semana. E fora a tecla insert. A tentação foi escrever fora temer!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

05.- Quanto o Google me conhece?


ANO
 12
LIVRARIA VIRTUAL em
Www.professorchassot.pro.br
EDIÇÃO
3332



Inauguro 2018 contando que na semana antes do Natal escrevia um texto que talvez se transmute em protofonia à 4ª edição do Para que(m) é útil que Editora Unijuí deseja lançar neste 2018. Relia para ajudar-me na tessitura a última fala do ano em Araruna PB que ressoava vibrante: Uma brecha entre o passado e o futuro.
Escrevia, então, que entre um passado ainda quase desconhecido e um futuro que já questiona se devemos batizar robôs há uma pequena brecha, quase uma fenda, onde vivemos um fugaz agora. Há muitas inovações que a rapidação (= ação rápida) faz do futuro um tempo quase presente, sem que percebamos se estas novas realidades descrevem um mundo real ou ainda são uma ficção. Vale evocar algumas poucas: a Geração 4.0; a Internet das coisas; a Indústria da Medicina (por exemplo, dispõem de nano-robôs que viajam em artérias humanas para fazer desobstruções e facilitar o trânsito sanguíneo); os drones (que entregam pizza e que também matam a mando dos Estados Unidos, em guerras onde o país-xerife do Planeta quase sempre intervém); o Uber (que ganha milhões com o transporte de passageiros individuais, sem dispor de automóveis); o Airbnb (maior locador de imóveis do mundo, sem dispor de uma casa ou apartamento); os Professores de aluguel (contratados para dar aulas chamados da mesma maneira que se busca um motorista com um aplicativo); a dezena de aplicativos que somos obrigado a usar, nos quais tudo está algoritmizado, qual a receita de bolo, patrimônio familiar herdado nos fazeres em forno a lenha de nossa avó; e uma nova religião: a religião do dadismo que enriquece coletando dados e depois os vendendo. E nós súditos muito fieis e muito domesticados nos esforçando para fornecer ‘nossas’ informações. Quem de nós têm conta no gmail? Naquela palestra esta pergunta teve resposta sim de quase a unanimidade do auditório de cerca de uma centena de pessoas envolvidas com fazer alfabetização científica.
No dia de Natal, lia um texto que Raphael Hernandes publicara na Folha de S. Paulo que descreve com competência como podemos saber acerca de nossos óbolos, enquanto fieis da religião do dadismo. Ele relata que — em atividade profissional — resolveu pedir ao Google que enviasse os dados que tivesse armazenado sobre ele. Qualquer um pode fazer o mesmo em uma ferramenta (https://takeout.google.com/) que a empresa disponibiliza.
Hernandes conta que no passado, já havia feito algo semelhante em outras plataformas, como Facebook e Twitter. Diz que agora o resultado foi impressionante. A diferença desta vez é ser usuário do Google há muito mais tempo do que de qualquer uma dessas redes impropriamente chamadas de sociais.
Eis seu relato: “Ao fazer a requisição, me perguntaram se eu preferiria dividir os dados em partes de 1, 2, 4, 10 ou 50 gigabytes. Aí já comecei a suspeitar da avalanche que viria. E ela veio. Recebi um mundaréu de arquivos que, juntos, somavam 27,4 GB — equivalente a cerca de 50 mil e-books de ‘Dom Casmurro’. Aproximadamente 15 GB eram o que eu tinha salvo no Google Drive e meu histórico no Gmail. De resto, informações sobre 28 outros serviços da empresa que usei em algum momento: meu histórico de buscas desde 2009, vídeos que procurei e que assisti no YouTube desde 2010, meus contatos, agenda, fotos...Analisar toda essa massa de dados foi como dar uma profunda olhada no espelho, e também me levou ao passado. Ao ver que em 2011 procurei um vídeo sobre a peça "Cyrano de Bergerac", por exemplo, me lembrei de estar no meu antigo quarto, preparando uma aula – na época era professor– na qual eu citaria a obra.”
 também gostos e preocupações que mudaram com o passar do tempo. Encontrei curiosidades esdrúxulas, como quando perguntei ao oráculo "quem é Kim Kardashian" –às 13h37min30s361 do dia 17 de dezembro de 2010. Tudo em um histórico (gigante) de buscas.
Hernandes narra: “O mais divertido foi analisar meu histórico de localização. Tive o trabalho de colocar todos os seus mais de 65 mil pontos em um mapa. Onde eu estava às 13h do dia 19 de setembro do ano passado? A informação consta lá (eu estava na Folha). Meu histórico de localização tem alguns buracos, no entanto. Passei a usar Android no fim do ano passado, que é quando a informação começa a ficar mais frequente. Mesmo assim, há dados desde 2013, o que me leva me perguntar de onde é que tiraram essa informação. Provavelmente vem de acessos ao site do Google e do uso de alguns serviços, como o Google Maps, nos meus telefones antigos”.
O jornalista se dá conta que sabia que tudo isso estava lá porque, em algum momento, eu concordara em ceder todos esses dados à empresa. Em troca, ela lhe entrega serviços que ele considera essenciais e diz respeitar sua privacidade. De qualquer forma, reconhece que é assustador pensar no que podem estar fazendo com essa informação.
Hernandes conclui que há “algo que mostra muito bem quem eu sou, quem eu fui e até quem eu vou ser”.
Se este relato nos surpreende e até assusta, vale recordar que foi referido apenas dados pessoais que fornecemos ao Google. Há cada vez mais uma exigência que tenhamos no Brasil, neste 2018, uma lei de proteção de dados e que estejamos atentos quando marcamos aquele minúsculo xis num quadrículo dizendo: “li e concordo”. Quem, ainda propósitos para 2018, há pistas aqui.